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quinta-feira, 3 de junho de 2010


FURO DE REPORTAGEM DO TONHÃO!



DILMA! NOVAS E ESTARRECEDORAS REVELAÇÕES!

Recentemente, a revista SHOOT THE HEAD e o jornal BIG GUNS OF AMERICA, duas publicações pacifistas norte-americanas de prestígio internacional, veicularam bombástica(!) reportagem sobre o arsenal nuclear brasileiro. O arsenal estaria em silos subterrâneos, no coração da Amazônia. Estima-se que os silos abriguem de 100 a 150 mísseis nucleares e que tenham sido construídos a partir de 1985, através de um projeto militar brasileiro altamente secreto denominado "BOMBA MEU BOI".

Os lideres dos países desenvolvidos temem uma aliança entre a presidente Dilma e Ahmadinejad. Ambos disporiam de um razoável arsenal nuclear que colocaria em risco todo o planeta. A imprensa norte-americana já vem apelidando os dois de "Casal Apocalipse". Em uma charge, a revista SHOOT THE HEAD mostra Dilma de noiva e Ahmadinejad de noivo, ajoelhados diante de um grande míssil.

Já o jornal BIG GUNS OF AMERICA destaca o temor do governo norte-americano de que Dilma transfira tecnologia nuclear para o grupo de Bin Laden. O jornal informa ainda que o governo norte-americano cogita intervir militarmente no Brasil, já que Dilma no poder é inaceitável para os EUA. O plano secreto de invasão do Brasil vazou e a revista SHOOT THE HEAD informa que a operação chama-se "Operation Big Month" ("Operação Mensalão") e prevê o bombardeio de Brasília. Logo após o bombardeio, milhares de paraquedistas norte-americanos seriam lançados sobre Brasília. Uma vez instalado, o governo militar de ocupação criaria cortes marciais para julgamento dos congressistas brasileiros. O plano prevê também o julgamento de Dilma por crimes contra a Humanidade e genocídio, de acordo com leis marciais, e a condenação sumária da terrorista, que seria enforcada na Esplanada dos Ministérios, em execução pública, transmitida via satélite para todo o mundo sob o patrocínio de um pool de empresas norte-americanas e brasileiras. GLOBO e RECORD já disputariam exclusividade de transmissão no Brasil.

Na extensa reportagem, o BIG GUNS OF AMERICA comprova ainda conexões entre o PT e a Al-Qaeda de Bin Laden. O jornal obteve e publica fotos inéditas de José Dirceu encontrando-se secretamente com Bin Laden, em seu esconderijo nas cavernas do Afeganistão. Em diversas fotos os dois líderes terroristas apertam as mãos efusivamente e examinam mapas dos territórios europeu e norte-americano, planejando atentados em várias cidades. Em uma das fotos, os dois terroristas sanguinários aparecem abraçados, fazendo o "V" da vitória: Dirceu com barba e uniforme de guerrilheiro, fumando charuto, e Bin Laden sorridente, vestindo a camisa da seleção brasileira. Dirceu e Laden já são conhecidos entre os norte-americanos como "O Dueto do Mal".

(Tonhão Von Braunn, de Nova Iorque, especial para o Tonhão News

 
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Tonhão, um repórter no Futuro

Tonhão criou uma máquina do tempo. Com ela, viaja ao futuro e conta o que anda acontecendo lá na frente, às vezes muito adiante. Tonhão cunhou uma lógica subversiva: é preciso visitar o futuro para construir o presente; ou, se você não tem uma máquina do tempo, é preciso "projetar" o futuro para construir o presente. E às vezes, se projetamos um futuro sombrio, será preciso alterar radicalmente o presente. 


MINHA NAVE INTERTEMPORAL, "HAL 9000", ESTILO BELLE ÉPOQUE, QUE ME LEVA A QUALQUER ANO DO FUTURO  



Ano 3.201 – Lá vou eu, mais de mil anos à frente. Nietzsche falava no “eterno retorno” e muitos historiadores entendem que a História se repete em ciclos. Pois bem, meus leitores aí do presente: aqui no início do quarto Milênio noto que a América está islamizada. A minha nave intertemporal “HAL 9000” sobrevoa o Brasil. Que, aliás, está qualhado de mesquitas, tal como, aí atrás, é qualhado de templos católicos. Idem toda a América Latina, Canadá e Estados Unidos. Um cenário que lembra bastante o triunfo da cristandade na Roma antiga, lá pelo Século VI, VII. No entanto, aqui em 3201, embora os muçulmanos tenham imposto Maomé, ainda há focos tolerados da fé cristã. As minorias cristãs chamam essa era de “Segunda Idade Média” ou “Nova Escuridão”. As liberdades são restritas, mas não tanto como na maioria dos países muçulmanos aí do presente. O poder, por exemplo, do presidente norte-americano é bastante limitado pelo Conselho Muçulmano das Américas. Aliás, aqui no futuro, o presidente norte-americano é o presidente das três Américas, que se encontram federalizadas, incluindo o Brasil. Os cristãos mantêm uma certa estrutura capitalista de pé e tentam preservar o saber científico e a tecnologia. Mas o poder é exercido por uma teocracia que mantém o presidente sob controle. Tudo que ele decidir pode ser rejeitado pelo Conselho, que detém a última palavra. Os setores radicais islâmicos não têm apreço pela ciência nem pela tecnologia. Interpretam passagens do Alcorão como condenatórias da ciência, que seria arma do mal, inimiga da fé e do Profeta. Para mim, particularmente, esse foi um dos mais deprimentes cenários que encontrei no futuro: todo o saber científico, avanços e garantias de liberdades desprezados ou revogados por uma teocracia obscurantista e retrógrada. Vocês aí no presente comecem a agir para desmontar esse cenário melancólico. É preciso observar que fatores aí na nossa época já estão agindo para criar uma América tão sombria aqui no futuro. Volto rápido e atordoado para minha querida nave intertemporal. Sinto alívio ao decolar e deixar na poeira do tempo esse lúgubre ano 3.201. Ate breve, com mais notícias aqui do futuro. Lá vamos nós, eu e minha HAL 9000.


Ano 2115 - A bordo da minha máquina do tempo, que batizei "Hal 9000" em homenagem ao computador vilão de "2001, Uma Odisséia no Espaço", avisto uma paisagem deserta, arenosa, sem vestígio de vida,  animal ou vegetal. O mar está enegrecido, oleoso, como que afetado por um gigantesco vazamento de petróleo. O relevo lembra muito o Rio,  com dois morros semelhantes ao Pão de Açúcar e outro que se parece com o Dois Irmãos. A bordo da minha nave, consulto o painel de informações históricas: "no local existiu  a Cidade do  Rio de Janeiro,  destruída numa guerra entre traficantes de drogas equipados com mísseis nucleares portáteis".

Não sei o que faria sem o meu painel de informações históricas durante as minhas andanças pelo futuro.

Ano 6018 - Consulto o painel de localização: "Planeta Vênus". Nesse ano distante, pelo visto, já colonizamos o planeta vizinho e certamente muitos outros.  As cidades de Venus são inimagináveis, cheias de prédios altíssimos. Estranho a ausência de atmosfera artificial oxigenada. Como é possível a um ser humano respirar por aqui? Será que sofremos uma mutação tão radical? Vou aproximando a Hal 9000 da maior metrópole venusiana, onde avisto um  prédio descomunal,  com cerca de  quinze quilômetros de altura. No terraço, um letreiro gigantesco ostenta os dizeres: "UPO - United Planets Organization". Há um movimento muito grande de robôs, milhares deles, ingressando no prédio. Parece que haverá uma espécie de assembléia importante.  Pelo clima descontraído, parece  uma assembleia meramente comemorativa.  Não avisto seres humanos. No plenário lotado, o Robô 34-Z318-FFW-20, Secretário-Geral da Organização dos Planetas Unidos, abre a assembleia:  "senhores, não podemos deixar de homenagear a memória da raça humana, cuja extinção completa hoje mil anos". "Ela cumpriu a sua missão, que era iniciar a colonização do Universo e sobretudo  criar-nos". Os robôs presentes batem palmas, o que desencadeia um ensurdecedor ruído de metais em colisão. Onde eu coloquei meu protetor de ouvidos...

Ano 4112 -  Estou na Terra. Milhares e milhares de edificações semelhantes aos templos católicos do presente estão em toda parte, em todas as cidades. Mas em vez de cruzes, todos os templos trazem o mesmo símbolo: a mão com quatro dedos esticados e o polegar recolhido.  Chego em meio às comemorações de 2000 anos da oficialização da Beatlemania como religião mundial.  Um sacerdote do baixo clero, um "harrison", conversa com um seminarista, um "ringo",  enquanto passeiam no jardim de um mosteiro.
- Não adianta, meu jovem ringo, jamais saberemos exatamente como foi.
- Sabe, harrison, eu acho que os lennon e os mccartney sabem de tudo. Eles tem acesso a registros audiovisuais milenares. A mídia está sempre dizendo que os Beatles eram humanos como nós e que na época deles jamais foram considerados salvadores. Fala-se também que os registros do Século XX  existem e estão em algum lugar secreto... 
- Isso é heresia! A mídia fala muita bobagem, invencionice. Basta sabermos que eram quatro músicos que tinham a divina missão de renovar, através do "Cancioneiro Beatle Sagrado",  a salvação iniciada por Cristo: "Os Quatro Rapazes da Salvação". Basta o que está no terceiro testamento. Vocês ringos sempre com dúvidas e perguntas. Mas Deus releva... "Quatro Rapazes, guiai-nos sempre"...
Amem.

O jovem ringo seguiu em silêncio, enquanto o velho harrison assobiava o seu cântico sagrado predileto, Lucy in The Sky With Diamonds.


Ano 2420  – E lá vou eu na minha Hal 9000. No painel de busca, digito “comportamento sexual no século XXV”. O “freio automático da busca” é um recurso incrível que detém o veículo no ano e no lugar mais indicado para a minha indagação. E por isso a minha nave intertemporal pára instantaneamente no ano 2420 e bem em frente à janela de uma sala de aula de História. Quer um momento melhor para saber o que se passa numa época do que uma aula de História? Estaciono bem em frente à tal janela da sala e fico escutando: “E era assim há 300 anos atrás”. “Os machos vinham ao mundo com o impulso de possuir várias mulheres, de se atrair simultaneamente por muitas”. “Até que o Tratado da Fidelidade surgiu em 2152”. São signatários desse tratado quase todos os países”. “Com a implantação de um Chip nas mulheres, as gerações futuras passaram a gerar homens com a mesma estrutura sexual feminina, predominantemente monogâmica”. Um adolescente levanta a mão: “quer dizer que nós éramos promíscuos? Além da namorada desejávamos outras?”, indaga o jovem com cara de repugnância. “Sim”, responde a professora, “devia ser um inferno”. “Havia separações de casais, em grande parte causadas pelo homem”. “Na verdade, os casamentos duravam pouco...” O aluno intervém novamente: “as pessoas acabavam com os casamentos por esse motivo?” “Sério?” A professora prossegue: “sim”. “É quase inacreditável pensar que a maioria dos casamentos acabava por causa desse impulso masculino”. “Hoje, temos 10% de separações em todo o mundo”, completa a professora. “Há trezentos anos atrás as separações giravam em torno de 85% ao cabo de cinco anos em média de união”, finaliza, para a perplexidade da classe adolescente. Uma classe muito bem comportada nas suas relações amorosas, pelo visto.

domingo, 26 de julho de 2009

Atenção! O pensamento de Tonhão Von Braunn é patrimônio da Humanidade. Portanto, é livre a utilização e divulgação dos textos do genial teuto-ameríndio, desde que informada a autoria.
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TESTE BRAUNN: Você é corrupto?


Tonhão Von Braunn desenvolveu o “TESTE BRAUNN” como ferramenta auxiliar na luta pela erradicação da corrupção no Brasil.




VOCÊ SE CONSIDERA HONESTO? VOCÊ SE CONSIDERA MENOS CORRUPTO QUE MUITOS POLÍTICOS E PODEROSOS? FAÇA O TESTE AGORA! É RÁPIDO E QUASE NÃO DÓI!

 

Assinale todos os itens nos quais você se enquadra.


[ ] Já embolsou troco errado a seu favor?

[ ] Já frequentou jogatinas clandestinas (cassinos, rinhas de galo etc)?

[ ] Já apostou no jogo do bicho?


[ ] Já usou ou usa jogos ou programas “piratas” para computador?


[ ] Já adquiriu mercadorias de camelôs não autorizados?


[ ] Já adquiriu filmes, cedês ou devedês “piratas”?


[ ] Já obteve recibos para o Imposto de Renda por serviços jamais prestados?


[ ] Já forneceu recibos para o Imposto de Renda por serviços jamais prestados?


[ ] Já encontrou um objeto perdido ou esquecido e, mesmo podendo encaminhá-lo de modo a chegar ao legítimo dono, não o fez e ficou com o objeto?


[ ] Já trapaceou em jogos, esportes ou quaisquer competições?


[ ] Já adquiriu conscientemente falsificações de produtos de marcas ou grifes famosas?


[ ] Já ofereceu suborno a alguma autoridade para não ser multado ou para obter qualquer vantagem?


[ ] Você já se apropriou de algum bem de pouquíssimo valor enquanto ninguém notava?




DEPOIS DE ASSINALAR, CONFIRA ABAIXO O SEU RESULTADO.


Avalie o seu grau de corrupção




TABELA BRAUNN


A. VOCÊ NÃO  ASSINALOU  ITENS.


Parabéns! Você é um modelo de honestidade! Creio que como você existam pouquíssimos brasileiros! Você é uma raridade, uma espécie ameaçada de extinção que, no entanto, precisa ser salva e estimulada a replicar-se intensamente! Mas cuidado! Evite aproximar-se de políticos e poderosos. Por um lado, poderá contaminar-se. Por outro, pode ser vítima de atentados. Lembre-se: honestidade em todas as situações é uma virtude. Orgulhe-se de ser o que você é! Parabéns!


CLASSIFICAÇÃO: CIDADÃO EXEMPLAR.
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B. VOCÊ ASSINALOU ATÉ DOIS ITENS.


Traz dentro de você o vírus da corrupção, ainda que, felizmente, contido e tímido. Você não seria capaz de grandes golpes e trapaças. Não tanto por convicção, mas simplesmente por medo. Mas você não está longe de ser honesto! Vamos! Mude agora! Não surrupie nem mais um clipe ou elástico esquecido em balcão!


CLASSIFICAÇÃO: DESONESTO MEDROSO
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C. VOCÊ ASSINALOU ENTRE 3 E 6 ITENS.

Você é um corrupto moderado. Capaz de pequenos golpes desde que tenha certeza da impunidade. Acha normal pequenas falcatruas mas fica indignado com grandes maracutaias. Para você, roubar pouco é normal. Crime, só se roubar muito. Você representa a maioria da população brasileira, que é corrupta e nem se dá conta. Você pode ser chamado de cidadão corrupto padrão brasileiro, ou seja, você está entre os 90% da população brasileira. Mude já o seu comportamento! Talvez você ainda tenha salvação. Você e a maioria de nós!


CLASSIFICAÇÃO: CORRUPTO ARROGANTE (PADRÃO BRASILEIRO)
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D. VOCÊ ASSINALOU DE 7 A 9 ITENS


Você é um corrupto de verdade. Não titubeia diante de uma boa oportunidade. A diferença entre você e as quadrilhas de Brasília é apenas uma questão de quantidade e oportunidade. Já pode ser caracterizado como um criminoso consciente.


CLASSIFICAÇÃO: CANALHA CÍNICO
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E. VOCÊ ASSINALOU DE 10 A 13 ITENS.


Você é um criminoso nato, um caso patológico! Seria capaz de roubar e negociar a própria mãe. Ou mesmo de matar para acobertar os seus crimes. Felizmente, como você existem poucos, porque na alta faixa de corrupção em que você se enquadra são necessários dois atributos pouco comuns: ausência  completa de limites e muita audácia. Você é um câncer social terrível que precisa ser erradicado o quanto antes. E se ainda não enriqueceu, não se elegeu para nada nem integra máfias poderosas é porque o seu grau de corrupção é tão elevado quanto o seu grau de incompetência.  


CLASSIFICAÇÃO: FILHO DA PUTA

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Tonhão, Um Pensador

na Contramão




Pensamento em destaque


Saudosistas me parecem irracionais. Não vêem que na História da Humanidade toda era é pior que a posterior .
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A desideologização do mundo moderno libertou-me, enfim, do complexo de culpa por não ser pobre.
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Para o tecnodependente, o computador é tudo que ele não tem.

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Para a maioria da população brasileira, a honestidade sempre foi uma abstração, um conceito puramente teórico, sem nenhuma aplicação prática.

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As religiões dificultam o contato entre Deus e os homens. A ciência facilita.

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Um dia, finalmente, não saberemos como é a morte.

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A Natureza e seus encantos: o cachorro estraçalhando o gato, o gato estraçalhando o rato, os predadores estraçalhando os herbívoros. Um equilíbrio delicado e harmonioso. 

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Somos todos máquinas. De carne e osso, mas somos máquinas.

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Os lugares mágicos da infância encolhem, murcham, tornam-se sombrios e inóspitos, assombrados pelos fantasmas do que nós éramos.


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Por que será que nas almas apaixonadas por música e poesia não penetram ambições de poder?

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Toda grande imprensa é grande empresa e todo jornalista que nela trabalha é primordialmente empregado e só secundariamente jornalista.

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A melancólica consciência da finitude só é atenuada pela loucura da fé. Ai dos que não enlouquecem.

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Ele era tão respeitado, tão amado, tão admirado que para ser ainda mais querido só faltava morrer.

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Finalmente, descobrimos para que serve o Estado: para salvar o capitalismo.

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Deus deve ficar triste ao ver as lendas religiosas que os homens criaram tomarem o lugar dos admiráveis fenômenos científicos que Ele criou.

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Sem o Deus Totêmico, caímos num terrível, assustador abismo de orfandade: o Universo. Mas talvez, no fundo desse abismo, encontremos, enfim decifrado, inteligível, pleno, o Deus Não-Totêmico.

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Por que será que pais e educadores normalmente decidem que a idade certa é muito depois que a criança ou adolescente manifestou espontâneo e entusiasmado interesse por alguma coisa?

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Grandes fofoqueiros são os poetas: vêem coisas que ninguém vê e contam tudo p'ra todo mundo.

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Nenhuma religião em particular, em face de qualquer outra, pode ser chamada de empulhação.

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HOMENS X MULHERES - Mulher: "Estou tão estressada que a última coisa que eu quero é sexo". Homem: "Estou tão estressado que a única coisa que eu quero é sexo".

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Haiti, Copacabana! - (d'après Rubem Braga)

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O Brasil é uma prova viva de que a suposta vocação capitalista do ser humano não é unânime.

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Nos velórios, os óculos escuros são providenciais: ocultam os olhos que não choraram.

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A diferença entre um homem normal e um estuprador reside em um único detalhe: o homem normal consegue se controlar.

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É claro que Deus existe e criou todas as coisas. Mas fica óbvio que no sétimo dia Ele abandonou tudo e sumiu.

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O comunismo, que pregava uma humanidade fraterna, a igualdade e a ausência de lucro, fracassou diante de um obstáculo intransponível: o ser humano.
 


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O fortalecimento das religiões, num dado momento histórico, é diretamente proporcional à fragilidade humana no mesmo momento histórico.

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Por que muitos preferem uma prostituta a uma boa conquista? Porque uma única boa conquista pode custar milhares de prostitutas.

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A esmagadora maioria normal e má da Humanidade jamais mereceu o martírio de uma ínfima minoria degenerada e boa.

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Se o homem foi, de fato, feito à imagem e semelhança de Deus, estamos todos nas mãos de um Louco muito Poderoso.

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Na verdade a juventude nada pode, embora saiba, e muito. Já a velhice pode tudo sim senhor, mas já se esqueceu do que sabia.

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A classe média é a guarda pretoriana da burguesia.

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Vagabunda é o nome que os homens dão às mulheres que se comportam exatamente como eles.

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A honestidade é um conceito complexo, composto de alguns elementos. Mas o elemento preponderante é o horror à punição.

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Caetano Veloso e Gilberto Gil são exemplos de uma singular classificação de comportamento sexual:  heterossexuais enrustidos.

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A melhor mulher do mundo é a próxima.

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E se Hitler estivesse perdidamente apaixonado em 1939?

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E Deus, enfim, ditou o terceiro e último e conciso Testamento: “Faça-se o nada”. Mas quando o Universo já ia diluir-se no nada, Deus disse: “mantenha-se apenas uma fenda no nada, por onde toque incessantemente a 5ª Sinfonia de Beethoven”. E assim se fez.

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Dois sinais prenunciam a decadência de qualquer grande civilização: quando seus homens sentem pouca vontade de guerrear e muito medo de morrer.

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Existir é uma imperfeição. Não se pode conceber a Criação perfeita. A única perfeição imaginável é o Nada. No momento em que algo se fez, rompeu-se com a perfeição, rompeu-se com o nada. A Criação foi uma ruptura com a perfeição. O nada é a ausência do tudo aleatório, do tudo imprevisível, do tudo imperfeito.

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Ironicamente, o “Reich dos Mil Anos”, sonhado por Hitler, só teria tido chances sem guerra, sem conquistas, sem atrocidades, sem Hitler.

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É preciso haver gênios nos dois pólos: entre os que criam e descobrem, mas também entre os que compreendem e apreciam.

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Minha doce Solidão: perdoe todas essas pessoas que vez por outra me roubam da sua incomparável companhia.

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Todos trazemos dentro de nós um grande canalha. Felizmente, ele só desperta se formos eleitos para algum cargo público.

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A inquietude é a característica do ser humano que mais serve aos desígnios que o criaram.

 

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Chico: o encontro perfeito  entre notas e palavras
 Chico é parceiro de si próprio e leva dentro dele o maior melodista e o maior letrista da MPB. Se cada sílaba de cada verso tem uma única nota perfeita a esperá-la, só Chico sabe onde elas se encontram



Há mais de dez anos, quando começou a febre de gravar música no computador, eu costumava distribuir entre amigos cedês com uma coletânea do Chico e mais capa, contracapa, leiauti, numa até que esmerada produçãozinha caseira. Aí abaixo, o texto que ilustrava a  antologia "Clássicos do Tonhão", sempre dirigida ao amigo presenteado.

"Pois é, enfim a seleção prometida. Devo frisar que ela não é nem de longe um “crema de la crema”. Mas é a que foi possível com os dois (?!) cedês de que disponho, pois só tenho a obra completa do Chico em vinil. Breve serão lançados os vol. II, III, IV, V, VI, VII etc. Note que o Chico nasceu um intransigente parnasiano do samba, um artesão de versos formalmente acadêmicos, de métrica e rimas rigorosíssimas, a despeito do conteúdo arraigadamente popular e da forte influência temática de Noel e da turma da Bossa Nova. E nunca deixou de sê-lo por completo, embora forma e fundo de seus versos evoluíssem vertiginosamente para uma verdadeira revolução".

"Assim, em A BANDA, a passagem vibrante de uma fanfarra na cidadezinha, inunda de uma alegria ilusória e fugaz o cotidiano triste de cada habitante, tornando jovem o velho e bela a moça feia, até que finalmente se restaura a dor de cada um. E eu, então com treze anos de idade, a partir daí corri atrás da banda e de todas as canções do Chico. Em QUEM TE VIU QUEM TE VÊ, versos de sonoridade bilaquiana narram o amor barrado pela súbita ascensão social da sambista amada. Em CONSTRUÇÃO, Chico transcende e atinge uma perfeição formal e uma universalidade temática absolutas, ainda que se utilizando da nossa peculiaríssima tragédia cotidiana. A saga do homem marcado para morrer é esculpida em primorosos versos alexandrinos - dodecassílabos de pausa na sexta sílaba - não rimicamente esdrúxulos mas tonicamente esdrúxulos, já que todos terminam invariavelmente em palavras proparoxítonas. Estas palavras finais de cada verso, porém, não se manterão fixas. Em um dado momento, saltam do final de um verso para o final de um outro verso, num rodízio vertiginoso que nos mostra o corpo do operário através de um caótico caleidoscópio urbano: ora atrapalhando o público, ora atrapalhando o tráfego, ora atrapalhando o sábado. Uma concepção de gênio, um efeito magistral, uma obra-prima".

"Na época, tinha-se a impressão de que o Chico atingira o auge e indagava-se o que mais ainda poderia criar. Era apenas 1972. Eu completara dezenove anos e extasiado tentava imaginar “O Que Será” que ainda viria... E Chico nem fechara a primeira metade de seu cancioneiro, à época cento e poucas canções de um total que hoje ultrapassa trezentos títulos. Tinha ele apenas vinte e oito anos, menos da metade de seus atuais e fecundos sessenta e cinco de vida. Enfim, você notou que eu escrevi singelamente “CHICO”. E por quê? Porque ninguém iria achar que se trata do Chico Viola (apelido do grande intérprete dos anos trinta, Francisco Alves) ou do Chico Science ou do Chico Serra. Quando se fala de música popular Chico significa Chico. Os outros têm que ter sobrenome. Abração".


TONHÃO VON BRAUNN

segunda-feira, 7 de julho de 2008



"2001, UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO",  COMPLETA 43 ANOS

Uma aula de cinema completa 43 anos em 2011. É o mais belo filme que os meus ouvidos ouviram e meus olhos viram. Épico e poético, instigante e angustiante, denso e dramático, emblemático. E surpreendente toda vez que o revemos. Um filme-tratado, um ícone sonoro e visual, o mais harmonioso congraçamento entre música e imagem jamais alcançado por qualquer outra obra cinematográfica.
(Tonhão Von Braunn)


E foi assim que, quando o filme completava 20 anos, em 1988, Tonhão poetou:


A VALSA, DE KUBRICK


Mas, ó, não! Espaçonaves não valsam!
Espaçonaves não podem bailar assim
Ao som de um valsa de Strauss
Elas são tão grandes
Elas não são gente
Elas são metálicas...
Como podem
Mover-se assim
Tão suaves, silenciosas
E delicadas e graciosas
Ao som do Danúbio Azul,
No breu do salão sideral ? Não podem...
Podem sim!
Stanley Kubrick
Quis assim.
Obrigado, Mestre,
Por eu ter tua obra
Para sempre em minha vida.




E quando o filme completou 30 anos, em 1998, Tonhão tornou a poetar:


2001

Ó meu Kerr Dullea!
Duramente confrontado
Com o dom de ser criador
E a dor de ser criatura
E eu, que tinha apenas
Dezesseis anos
Diante de tamanho drama,
Som quadrafônico
E tela de cinerama



quinta-feira, 24 de janeiro de 2008



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terça-feira, 22 de janeiro de 2008


Tonhão, De olho na Notícia
Cuidado, imprensa! Tonhão está de olho no noticiário.
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É aterrador: a matéria de capa da revista VEJA nº 2044, de 23 de janeiro de 2008, intitulada ''OS HERÓIS DO CAPITALISMO'', revela:

''Ser milionário é ter um uma poupança equivalente a 1 milhão de dólares''

''100 em cada 100.000 brasileiros já são milionários''

Mas Tonhão não se deixa enganar pela manipulação da notícia. A notícia está correta. Apenas foi apresentada por um ângulo maquiavelicamente favorável às soluções capitalistas. No entanto, o olhar arguto de Tonhão apresenta o ângulo correto. E tenebroso:


TODOS OS MILIONÁRIOS DO BRASIL CABEM NO MARACANÃ

APENAS 0,1% DA POPULAÇÃO É MILIONÁRIA (um décimo de um por cento!):

DE 180 MILHÕES APENAS 180 MIL SÃO MILIONÁRIOS.

A CRUA REALIDADE DOS NÚMEROS ATESTA A MAIS

MONSTRUOSA DESIGUALDADE SOCIAL

domingo, 20 de janeiro de 2008

Tonhão, Um Filósofo Humanista, quero dizer, Humorista

Tonhão responde, divertido e sarcástico, ao filósofo Olavo de Carvalho. Leiam, portanto, o texto de Tonhão e o texto de Olavo. De filósofo para filósofo.
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PEDERASTAS E COMUNISTAS: AS RAÍZES DE NOSSA TRAGÉDIA
Tonhão Von Braunn, filósofo teuto-ameríndio


A propósito do lúcido texto mais abaixo, de Olavo de Carvalho, devo dizer que não me contive e apresento as minhas considerações em apoio ao bravo intelectual. Olavo há muito denuncia o perigo comunista e agora vem denunciar o perigo gay. A luta sobranceira, quase solitária, empreendida pelo meu colega filósofo é de todo meritória. Sem dúvida, preocupar-se com a complexa e dissimulada comunidade gay no Brasil e com a crueldade infantofágica dos comunistas brasileiros, é angustiante prioridade. Não tenho notícia de dois grupos que, ao longo da História, tão solertemente venham minando a nação e as instituições.


Com efeito, o que os nossos comunistas e os nossos homossexuais têm perpetrado desde os primórdios de nossa colonização deveria mobilizar a comunidade internacional e produzir admoestações severas do Papa, advertências enfáticas da Onu e até mesmo uma saneadora e libertária intervenção norte-americana. Se o Presidente George W. Bush estivesse melhor assessorado, certamente estaria a par do que se passa por aqui, em matéria de aviltante pederastia, de deslavado comunismo. E provavelmente desviaria todas as forças que mantém no Iraque, numa guerra de importância duvidosa, diretamente para o Brasil. Seríamos legitimamente ocupados até a cabal erradicação das pragas gay e comunista.


Mas vamos aos fatos, documentos e comprovações históricas, para que o descortino do Olavo não se esvaneça em terreno sáfaro.


Desde que Cabral aportou em terras brasileiras, pederastas e comunistas se assanharam, quem sabe até mesmo em sórdido conluio, com o objetivo claro de instalar por aqui o caos, a desordem, a miséria, o analfabetismo, a concentração de renda, as doenças endêmicas, o narcotráfico e a fome.


Só ingênuos apedeutas e sesquipedais inocentes úteis não percebem que :


1. Pedro Álvares Cabral era comunista;

2. Pero Vaz de Caminha era gay.


Acompanhem, pois, a minha linha de investigação histórica, que vai ao encontro das lúcidas e preocupantes ilações olavianas.


Ao tomar posse das terras brasileiras em nome da coroa portuguesa, Cabral o fez, simbolicamente, através de que rito? De uma missa solene. E a quem a missa congregou? Congregou europeus civilizados e aborígenes incultos, comandantes letrados e marujos rudes, nobres e plebeus. Estavam todos ali, reunidos, em promíscua confraternização. E quem costuma pregar tanta igualdade, desconhecendo normas elementares, naturais de hierarquia e de estratificação social? Os comunistas, claro.


Resta, pois, alguma dúvida de que Cabral era um agente vermelho infiltrado na expedição lusitana? Quem seria ingênuo a ponto de negar que o navegador estava a serviço do movimento comunista internacional? Alguns crédulos poderiam alegar que o conceito de comunismo sobreveio muito depois. Ó estultice! Marx apenas estruturou teoricamente um movimento que remonta às catacumbas de Roma, nada mais.


Assim sendo, Cabral pode ser considerado, com justiça, o malsinado patriarca dos comunistas brasileiros.


Mas continuemos. Quem era o escrivão da esquadra? Pero Vaz de Caminha. Aqueles que tiveram o cuidado de ler atentamente as cartas dirigidas a El Rei constatarão o óbvio: Caminha era gay. E mais do que gay: era um ativista de escol do Movimento Gay.


Examinemos apenas um breve trecho, porém bastante revelador, daquela carta:


" Neste ilhéu, onde fomos ouvir missa e sermão, espraia muito a água e descobre muita areia e muito cascalho. Enquanto lá estávamos foram alguns buscar marisco e não no acharam. Mas acharam alguns camarões grossos e curtos, entre os quais vinha um muito grande e muito grosso; que em nenhum tempo o vi tamanho. "


Note-se a mal contida euforia de Caminha com um certo "camarão muito grande e grosso". E arremata, num indisfarçável êxtase pederasta: "que em nenhum tempo o vi tamanho". Ora! Fica clara a homossexualidade do escrivão, sobretudo se bem analisamos o vocabulário tipicamente gay empregado ao longo da carta! E note-se, ademais, que escrevinhações e atividades afins eram, na época, ofícios em que predominavam os efeminados.


Portanto, não é por acaso que lá estavam, na mesmíssima expedição, na mesmíssima nau, dois lusitanos expoentes do movimento comunista e do movimento gay. À socapa, Cabral e Caminha, desde que aqui aportaram, por certo agiam coordenadamente, unidos pelo interesse comum de criar uma nação tragicamente miserável e sofrida.


Enquanto as nossas elites políticas, o nosso bravo empresariado e os nossos grandes produtores rurais empreendem um esforço sobre-humano para dotar o país de justiça social, educação e saúde, bem como estirpar o câncer da fome e das doenças endêmicas, o que fazem gays e comunistas? Querem, ambos os grupos, manter a nação mergulhada em um mar de mazelas. Solapam todo e qualquer esforço para alcançarmos uma sociedade mais justa.


Enfim, é melancólico constatar que uma imensa maioria de ingênuos e de crédulos insiste em não enxergar o sórdido conluio, entorpecidos pela mídia, toda ela estrategicamente tomada, à sorrelfa, pela caterva pederasta-comunista.


Inobstante, sempre haverá esperança quando sabemos que inteligências iluminadas como a de um Olavo de Carvalho, ao qual, doravante, eu me junto, jamais se cansarão de denunciar a famigerada aliança efeminado-comunista, que há cinco séculos constitui-se na causa primordial da tragédia brasileira.

Ave, Olavo! Morituri te salutant !

(Tonhão Von Braunn é filósofo teuto-ameríndio)
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GOLPISTAS E VIGARISTAS
Olavo de Carvalho, filósofo
Os blogs vão acabar matando a grande mídia, se ela não tomar jeito. É a eles que temos de recorrer quando queremos notícias genuínas em vez de fingimento bem-pensante. Já falei aqui da "Nota Latina" (http://notalatina.blogspot.com), que considero a melhor e quase única fonte de informações seguras sobre o movimento comunista no continente. Agora me aparece outro, http://jaelsavelli.blogspot.com/, que não hesita em fazer, a respeito do alegado perigo homofóbico que assola o país, o cálculo comparativo que nem o governo, nem o jornalismo chique, nem os tagarelas acadêmicos e parlamentares ousaram jamais fazer, porque se o fizessem cortariam no ato sua própria língua mentirosa e falaz. Aí vai:

1) O Grupo Gay da Bahia informa que "entre 1980-2005, foram assassinados no Brasil 2.582 homossexuais" (fonte: www.ggb. org.br/assassinatos2005c.html).
2) O governo federal informa que "nos últimos 25 anos ocorreram aproximadamente 800 mil assassinatos no Brasil" (fonte: http://www.camara.gov.br/sileg/integras/ 398227.pdf).
3) O Grupo Gay da Bahia e o governo, juntos, informam que "os gays representam cerca de 14% da população brasileira: 24 milhões" (fontes: IBGE e www.ggb.org.br/ moviment_glbt4. html).

O leitor tenha a bondade de fazer as contas e verificar que, segundo esses dados, o número de homossexuais assassinados corresponde a 0,3% do total de vítimas de homicídios no Brasil.
Ora, a comunidade que abrange 14% dos brasileiros mas só 0,3% dos assassinados é exatamente o contrário de uma comunidade de risco, sob o ponto de vista policial. É uma das comunidades mais seguras, mais protegidas deste país. Com razão, ela se denomina "gay": É uma das poucas que tem motivo para estar alegre numa população que vive em permanente estado de luto.

Seus líderes, porta-vozes e advogados não podem alegar ignorância desse dado, pois são eles mesmos que o publicam. Se, não obstante, insistem em apresentar essa comunidade como vítima de violência endêmica, como necessitada não só de proteção extra mais de legislação especial que lhe permita criminalizar e mandar para a cadeia todos os que não gostem dela, a conclusão é óbvia: cometem fraude consciente, deliberada, com a finalidade de transformar riscos inexistentes em instrumentos para dar à comunidade gay um status social ainda mais privilegiado do que já tem. "Privilegiado" é eufemismo. Já expliquei em outro lugar (http://www.olavodecarvalho.org/semana/ 070604dc.html) que, pela amplitude da sua área de aplicação, a lei dita "anti-homofóbica" dará à militância gay um poder repressivo e intimidatório praticamente ilimitado, transformando-a num temível instrumento de chantagem nas mãos de seus mentores e aliados no governo federal e nos partidos de esquerda.

Se, ademais, a implantação dessa monstruosidade vem por meio da mentira e do engodo, então é claro que estamos diante de uma conspiração criminosa das mais perversas, astuciosas e bem camufladas que um grupo golpista já ousou tramar contra as garantias democráticas neste país.

Debater o caso sob o ângulo moral, religioso ou sexológico é discutir o sexo dos anjos, talvez também dos demônios, das sombras do Hades e até dos ectoplasmas. É alienação completa. Pois não é de sexo, de moral ou de religião que se trata nessa lei abjeta; é de poder, e poder sem limites. Duvido muito que a maioria dos homossexuais, no entusiasmo de suas paradas carnavalescas, tenha a menor idéia, seja da perversa engenharia política a que serve, seja do engodo publicitário montado para explorar, com esse fim, seus temores e seu esprit de corps.

Mas também duvido que os adversários da lei, inflamados na defesa de seus valores tradicionais, tenham a serenidade e o tirocínio para acertar o dedo na ferida. Atiçando as paixões polêmicas, desviando as atenções para a questão abstrata e extemporânea do "pró e contra o homossexualismo", o pequeno grupo de espertalhões golpistas coloca a seu serviço, simultaneamente, duas multidões de otários.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Tonhão Romântico e Idealista

Tonhão escreveu para VEJA, que, por sua vez, publicou um artigo sobre o Che Guevara absolutamente ridículo sob todos os aspectos: 1. a reportagem era superficial, amadora, destituída de um mínimo de apreciável conteúdo; 2. era uma propaganda anti-socialista tão mal-disfarçada que beirava o grotesco. Reparem o título: ''Che, A Farsa do Herói''. Céus! Isso é título de panfleto político distribuído na esquina. Inacreditável! E na capa da revista!
Por outro lado, é sabido que VEJA é uma revista anti-socialista, com pouca ou nenhuma simpatia por soluções sociais diretas. Ela defende aquelas teses de que tudo se resolve com muita produção, mercado, estado enxuto etc. E por aí vamos nós, 500 anos de estrada e nada. Até aí tudo bem, eu aceito, embora discorde. Agora, triste é prestar-se a uma reportagem tão barata, rasteira.
Só havia um intuito naquele texto vulgar e primário: denegrir a imagem de um figura histórica respeitada até por seus inimigos ideológicos. Pode-se, é certo, demolir a imagem de quem quer que seja. Mas com argumentos sólidos, pesquisa aprofundada, jornalismo de qualidade. Ao contrário, Veja publicou um enfadonho panfleto anti-socialista e, do ponto de vista jornalístico, um artigo deprimente. Parecia uma daquelas propaganda dissimuladas sob a forma de matéria. Aí já é descer demais. Foi melancólico. VEJA perdeu o respeito até dos seus adversários serenos, que, como eu, sempre a li e respeitei. Virou uma revistinha. Desceu, desceu muito. Triste. Até mesmo os leitores partidários das idéias que a revista acolhe e difunde perceberam. Foi de encabular.

A carta sarcástica de Tonhão, eterno sonhador, está aí abaixo.

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Li, com grande interesse, e, ao final, com grande alegria, a reportagem de capa intitulada "CHE, A FARSA DO HERÓI".

VEJA aponta os inúmeros defeitos, as falhas, os equívocos e mesmo os aspectos psicopatológicos do mito. A revista simplesmente mostra a cada um de nós quão de carne e osso foi esse grande herói, como tantos outros, como Churchill, Roosevelt, Gandhi, Lenin etc. Heróis não são deuses, não são anjos, não são super-homens. E a grandeza de cada um deles reside precisamente na superação de tantas e tão humanas limitações e na importância maior de seus ideais.

A reportagem, ao nos remeter à dimensão humana do guerrilheiro, nos remete, também, ao herói que cada um de nós pode trazer dentro de si, se abdicarmos de uma vida menor em prol de uma causa maior. Por isso é que Che Guevara é e será sempre um exemplo: renegou a melancólica "felicidade" de uma cômoda carreira de médico para internar-se, mesmo doente e asmático, nas selvas de países pobres tentando sublevar populações miseráveis contra governos opressores. Ninguém pode negar que ali estava um herói. Todos sabemos reconhecer um herói, independentemente de nossos credos político-ideológicos. E o Che foi um herói inquestionável.

Tenho certeza de que a partir dessa matéria, milhares e milhares de leitores de VEJA passarão a admirar ainda mais o grande revolucionário.

De tudo o que se disse na reportagem, o que fica mais claro para o leitor, ao final, é a obstinação idealista do guerrilheiro. Jamais esmoreceu. O Che derrotado na África e morto na selva boliviana é infinitamente maior que o Che triunfante em Cuba, entre charutos e mulheres: é o Che que não descansou sobre os louros e seguiu idealista até a morte.

É no Che maltrapilho, preso, amarrado, humilhado e assassinado na selva boliviana que está o mito, o mártir.

E ao depreciar e humanizar o mito, VEJA engrandeceu o herói.

Parabéns a VEJA!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008



TONHÃO
BEATLEMANÍACO
Esse é um espaço permanente para qualquer beatlemaníaco comentar livremente
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Tonhão Von Braunn escreveu, correspondendo-se com uma grande beatlemaníaca, de idas e vindas a Liverpool, visitas ao Cavern Club e amizade com os maiores fãs do Rio:

''Esqueci de comentar sobre o Best. Nossa! Você chegou até alguém bem alto na hierarquia. Acho que o rapaz está condenado a ser um quase-beatle. Existem quatro ex-beatles mas somente um quase-beatle. Não deixa de ser uma honraria singular. Mas isso jamais o consolou. Consta que ele tentou suicidar-se ainda nos anos sessenta. E mais de uma vez. Talvez ele até merecesse entrar para o Guiness como 'o cara mais azarado da História'.

Mas menina, você deve ser uma das maiores fãs do Brasil! Ainda não acredito que você exista e que viveu tudo o que viveu em função dos nossos Fabfour. Incrível! Já estou honradíssimo de ter conhecido você: amiga da L. Bravo e fotografada com o P. Best! Demais! Ah, sim! Eu fiz vários poemas para os Beatles, que estão em algum arquivo "POEMA.DOC" ( tenho alguns ). Vou dar uma busca. Por hora, deixo aí abaixo o texto sobre a banda que enviei ao Joaquim Ferreira dos Santos, cronista de O Globo. Ele desancou o John e disse que o Paul era o grande dos quatro. Contestei veementemente. Mas polidamente. Afinal, para mim, nesse eterno embate John X Paul o empate é absolutamente milimétrico. Dê uma olhadinha. Beijo

Tonhão"
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Prezado Joaquim

Antes de mais nada, o rapapé protocolar ( porém sincero ) : sou seu leitor assíduo. Seu e de outros colunistas de O GLOBO. Adoro crônicas de jornal desde adolescente e aprecio muito o seu estilo rascante, agressivo.E mais um detalhe que você juraria ser uma lorota deslavada: é a segunda vez na minha vida que escrevo para O GLOBO. E olha que, como já disse, leio esse diário desde onze, doze anos, quando então o meu cronista favorito - óbvio ululante - era o Nelson Rodrigues. Isso nos anos sessenta. Portanto, este cibermissivista é um feliz cinqüentão.

Mas a essa altura você já adivinhou por que raios esse cara tá me escrevendo e dizendo que não costuma escrever p'ra ninguém. Você acertou na mosca: sou um beatlemaníaco de carteirinha, embora seja da geração do progressivo. Acontece que a SAB - Síndrome Aguda da Beatlemania - me acometeu na infância. E você continua acertando: não concordo com as opiniões (magnificamente bem) emitidas na sua crônica "John e Paul". Devo esclarecer também que o meu caso de amor com os Beatles jamais se deveu aos carisma dos quatro rapazes da lúgubre e enfumaçada Liverpool; nem aos seus cabelos compridinhos à moda pagem medieval; nem por representarem (pouca) rebeldia etc. Nananinanão. Não no início de minha paixão adolescente quando eu e os meus quatro rapazes éramos tão felizes (embora heterossexual convicto, admito essa única e eterna paixão homossexual em minha vida).

No início, portanto, foi tudo estritamente musical. Eu estava lá pelos meus dez anos e passava em frente a um rádio de cabeceira no quarto de minha mãe. Era 62 ou 63. Até então adorava marchinhas de carnaval e decorava todas, além de algumas coisas do pop internacional que ainda ecoavam dos anos cinqüenta. Pois bem, o momento mágico, único, marcante, sagrado aconteceu: eu ouvi passagens de I Want to Hold Your Hand. Fiquei paralizado. De onde vinha aquele som? Do Planeta Terra não podia ser. Era diferente de tudo: a tessitura, o arranjo, os vocais, as palmas os três - TRÊS - acordes da guitarra de George. O que Beethoven não teria feito com aquelas três notas belíssimas? Talvez a Décima. Que coisa mais bonita, pulsante, energética! Dava vontade de cantar, dançar, pular, gritar e ouvir até não poder mais. E eu nem sabia quem eram os caras, se era um, se eram dois ou quatro, se eram jovens, brancos, negros, japoneses ou alemães. Eu não sabia nada sobre os criadores daqueles sons incríveis.

Mas rapaz, nem te conto. Naquele primeiro dia encantado sentei-me no chão, bem abaixo do tal rádio, e rezava: "tem que tocar outra vez", "tem que tocar outra vez". E tocava. E toca muito. Rádio Tamoio. Música azul, vermelha, ciclâmen, sei lá. Lembra-se? E assim foi. Dos Beatles, durante quase um ano, eu só conheci as canções. Nada de rostos cabeludos na parada, sem nomes, sem a mínima noção da dimensão do fenômeno todo que rolava lá fora. Nada, nada. Inclusive, nos primeiros dias após ter contraído a síndrome, eu não conseguia entender o locutor dizendo "The Beatles". Soava como "débitos" com a sílaba tônica alterada. E veio She Loves You, Love Me Do (no Brasil, a primeira canção gravada do grupo - Love Me Do - não foi a primeira a estourar). E veio todo o resto. Loucura.
Mas você sabe que mãe é mãe. E a minha logo notou que eu estava doente. Ela ameaçava: "se você não se aprontar em dois minutos não vai à praia". E a praia era o que havia de mais sagrada p'ra mim. ERA. Doravante os Beatles em primeiro, a praia em segundo. Dias depois do contágio, a minha mãe ouvia perplexa eu dizer, grudado ao rádio, que não queria ir à praia e que ia ficar em casa ouvindo música. Mas ela, com aquela intuição que só as mães têm, sacou que a minha doença era benigna, inofensiva e deixou p'ra lá essa minha esquisitice.
Veja bem, então, Joaquim: foi I Want To Hold Your Hand que desencadeou em mim a febre beatle. Era uma canção do John. No mesmo nível de She Loves You, do Paul, por exemplo, parar citar duas maravilhas da mesma época. E por que eu fiz toda essa introdução falando do meu primeiro choque com os Beatles? Para que você soubesse de cara que não se trata de um tarado pelas mistificação das cabelereiras-terninhos-sem-gola-rebeldia e sim de um tarado pela (caixa alta, por favor!) MÚSICA DOS BEATLES. Um cara que se apaixonou pela música dos Beatles muito antes de conhecer, compreender e render-se à Beatlemania. Muito antes de visualizar aqueles quatro rostos tão amados.

Por tudo isso, o meu beatle favorito sempre foi LENNON-MCARTNEY. Esse é o cara. As belas e rascantes canções do John alternando-se no vinil com as belas e doces canções do Paul. Dois gênios. Eu ficaria aqui citando dezenas de obras primas do John e dezenas de obras primas do Paul em cada um dos quinze discos do quarteto. E essa mensagem ficaria interminável. Mas veja bem: se o rascante predominava em John e o doce em Paul, isto não quer dizer que não ocorressem admiráveis inversões. Basta atentar para as dulcíssimas "Norwegian Wood" e "You've Got To Hide your Love Away", do John. Ou as ácidas "Oh! Darling" e Helter Skelter (que também tem letra maluca, quem diria), do Paul. E já que você citou o piano genial em "Maybe I'm Amazed", do Paul (e é genial mesmo), que tal lembrar dos geniais (e doces!) pianos de "Imagine", "Gelous Guy" e "Oh, My Love"?

Não por favor, Joaquim. Eu não posso crer que você seja apenas um desprezível NASAB (Não Afetado pela Síndrome Aguda da Beatlemania), ou um reles AMB (Apreciador Moderado dos Beatles). Lembre-se, por exemplo, de um fenômeno raro e muito discutido nos mais prestigiosos foros da beatlemania mundo afora: as parcerias autênticas. O que são essas "parcerias autênticas"? São aquelas raras composições de fato feitas a quatro mãos pelos meus adorados John e Paul e para as quais o rótulo Lennon-Macartney não é só arranjo contratual do brilhante Brian Epstein. Exemplos: "A Hard Day's Night", "A Day In The Life", "Lucy In The Sky With Diamonds". Repare quão magnífica é a participação de cada um nessas obras-primas. Em "A Hard Day's Night" John deu o pontapé inicial (na maioria das parcerias autênticas ele dava o mote e o Paul entrava com algo sempre genial) e Paul colocou aquela segunda parte belíssima. Em "A Day In The Life", John saca uma colagem de um dia enfadonhamente banal, noticiado na primeira página de um jornal, e esculpe versos brilhantes em uma melodia de dolente e rara beleza. E Paul acrescenta o tema central, aquele delicioso "Woke up fell out of bed". Ou seja, o Paul entrou na viagem temática e melódica do John e inseriu um personagem anônimo acordando e se preparando apressado para sair.

A propósito, "A Day in The Life" era o tema mais utilizado para as discussões nos bares, onde todos nós costumamos decidir os destinos da Humanidade e eu, particularmente, da Beatlemania. Quando eu ouvia um irado esquerdinha dizer que o tema central era ridículo ou desnecessário eu fazia sempre veemente defesa da contribuição do Paul àquela obra-prima. Acho que o Paul, em "A Day In The Life" definiu os contornos de algo que bailava fragmentário na cabeça do John. E quase sempre era assim nas parcerias autênticas: John lançava algo genial e Paul entrava com um acabamento ou um complemento igualmente genial. Em "Lucy In The Sky With Diamonds" esta parceria atinge a perfeição química. John, como de hábito, começa algo brilhante mas rarefeito - "Picture yourself on a boat on a river" e Paul complementou definindo o sentido daquela dolente e belíssima melodia de John através de um genial refrão precedido das três pancadas da batera do Ringo: tan-tan-tan "Lucy inThe Sky With Diamonds..." E - quem diria - quem deu uma de "homem ovo" nesse refrão foi o Paul com esses versos enigmáticos que sugeriam o anagrama de LSD. Depois o próprio Paul encarregou-se de desmistificar o tal refrão dizendo que viu o desenho infantil de uma sobrinha e disse que era ela no céu com diamantes. Só deploro a atitude desmistificadora do Paul. Que deixasse a fanzaria em paz crendo no tal anagrama lisérgico. São essas crenças que fazem da Beatlemania uma verdadeira seita. Maior barato!

Note ainda, Joaquim, que em "Lucy in The Sky With Diamonds" Paul teve um belo "momento-John" de piração. Do mesmo modo que John teve inúmeros e belos "momentos-Paul" de lirismo e simplicidade. Não dá para rotular. Qual o sentido, por exemplo, dos versos da belíssima e tipicamente "Pauliana" "You Never Give Me Your Money"? Qual o sentido dos versos da também Pauliana "She came In Through The Bathroom Window", outra obra-prima? Tava todo mundo pirado, meu irmão! O Paul apertava direto. Foi até preso, lembra-se?

Por outro lado, entenda que grandes artistas costumam abraçar grandes causas, além de suas artes. Picasso, Buñel, Castro Alves foram assim. Carregavam na alma a compulsão de melhorar o mundo através do prestígio que adquiriram em seus ofícios. Por favor, Joaquim, não veja o fenômeno como algo reprovável. Jorge Amado, na biografia que escreveu de Castro Alves, disse exatamente isso: que não há grande artista sem grande causa. Castro Alves abraçou a causa abolicionista e a a causa republicana. E isso fê-lo menor como poeta? John também não ficou menor como artista em face de sua militância. Uma militância que, a bem da verdade, era confusa e desorientada, como confuso e desorientado é o seu album ultrapolitizado e ideologizado "Some Time in New York City", lançado no auge da militância doidivanas, em parceria com a chata da Yoko.

Por fim, meu ultimato: exijo a sua adesão imediata ao movimento unificador da beatlemania, que idolatra a entidade superior chamada Lennon-McCartney; exijo que você deponha imediatamente as armas do segregacionismo e pare de combater ao lado dos fanáticos do "Paulismo", assim como sempre exijo a deposição de armas dos "Johnistas" ensandecidos. Vamos dar uma basta a essa guerra de secessão. Abaixo os separatistas! Viva a união do Mundo Beatle!

E assim foi e assim será até a consumação dos séculos. Lennon e McCartney serão sempre dois gênios fifty-fifty. Convença-se, Joaquim. Traga a fita métrica se quiser. O empate é assombrosamente milimétrico.

Venha, portanto, para a conciliação, para a convergência, para a redenção: Lennon-McCartney é o cara. Ah! E não esqueçamos nunca da simpatia do Ringo, suas duas canções enquanto Beatle, seu nariz monumental; e daquela pequena dúzia de obras-primas do George Harrison; e dos incríveis arranjos do George Martin.

Saudações beatlemaníacas.
Seu admirador e leitor assíduo

Tonhão Von Braunn

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Tonhão Poeta



Um pouco do lirismo de Tonhão  
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PAIXÃO




Paixão vem assim,
Sem aviso
De começo ou de fim
Sem preparação,
Sem sequer previsão.
Paixão é meteorologia alucinada
Só prevê tempestade, enxurrada
Que carrega para longe a razão
Basta um olhar nos olhos
Basta um par de horas,
Não mais
Para que se perceba
Que não se controla mais nada
Paixão é descobrir as paixões
Um do outro
Com a mesma paixão
A prenunciar
A paixão que virá
Paixão é a fuga da razão
É a instauração do mais belo,
Primitivo, instinto animal
É revogação da razão
Por tempo indeterminado
E a instauração do caos
São duas criaturas drogadas
É a picada de Cupido
Certeira na veia
Duas criaturas que se olham e se molham
Se mordem, maltratam e ferem
Se acariciam e se querem.
Paixão é o apagar do universo
E dois corpos solitários
Vagando entrelaçados
À deriva
No nada


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UTÓPICA




És bela
És a tela
Que pintei de ti


És a rosa
A mais formosa
Que plantei e colhi


És a fera
A pantera

Que domei e prendi


És o poema
És o tema
Que sempre escrevi


És a canção
A oração
Primeira que aprendi


Mas recusaste ser escrava
De quanto eu te imaginava
E decidiste nunca existir


1969


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UMA CERTA MONTANHA


Aquela montanha sisuda,
Pontiaguda,
Não gosta de nós,
Agnósticos,
Nem de ateus.
Com seu cume em forma de seta,
Estica-se toda para o céu
E me aponta Deus


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VIDA


A vida é um não,
Impressentida prisão,
Que amamos entanto.


Vida indecifrada
Cessação do nada,
Tão breve acalanto


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VELHICE


As lembranças inda vívidas,
Tantas chances mal vividas
E as verdades rígidas,
E as verdades corrigidas
Que caminhada de dívidas,
Queria dúzias de vidas...


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NADA




Não adianta iIudir-me
Com tanta vida
Um dia vou diluir-me
No nada


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POEMA ABRUPTO



Um poema abrupto
Feito assim de súbito
De repente


Sem nenhum sentido
Claro ou escondido
Nem subjacente


Apenas um poema
Sem objeto, sem tema
Esquisito


Não traz filosofia
Nenhuma ironia
Sequer é bonito


Não maldiz ditaduras
Não lamenta as agruras
De nenhum coitado

Enfim um poema tolo
E que ninguém vá supô-lo
Algum sutil brado



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NÃO, PESSOA


O poeta é um vaidoso
Que a dor tanto proclama,
Porque persegue o gozo
Que sempre traz a fama.


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PRISIONEIRO


A sensação de prisioneiro
Nas praias, nos trigais,
Os horizontes enormes
A sensação de prisioneiro
No pico dos montes

Nos vales, planaltos
No apótema do Oceano Pacífico
A sensação de prisioneiro

Talvez, quem sabe,
Revertendo o tempo
Refluindo ao ventre
Ao pequenino ventre


E ali bem encolhido
E ali aconchegado
Eu pressinto não teria
A sensação de prisioneiro


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PARATY


Parati é cidade mineira
Traidora
Que decidiu desertar


Fartou-se de tanta ladeira
A sedutora
E foi esticar-se à beira-mar




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Tonhão Capricorniano

O texto aí abaixo impressiona pela minúcia da análise. Contém especificidades tão exatas, tão reveladoras que deixam qualquer infeliz agnóstico, como eu, atordoado. Parabéns à autora. Ela tem, de fato, um dom. Um dom, para mim, inexplicável.





O SOL EM CAPRICÓRNIO




Por Vanessa Tuleski




Principal Característica: a persistência
Qualidade: disciplina
Defeito: rigidez




"A ti, Capricórnio, quero o suor da tua fronte, para que possas ensinar aos homens o trabalho. Não é fácil tua tarefa, pois sentirás todo o labor dos homens sobre teus ombros; mas pelo jugo de tua carga, te concedo o Dom da Responsabilidade. "E Capricórnio voltou ao seu lugar'' (Original de Martin Schulman – Karmic Astrology: The Moon’s Nodes and Reincarnation, 1977).


Capricórnio é o signo da cabra montanhesa. Esse símbolo reflete a persistência e a paciência desse signo em atingir seus objetivos.


O capricorniano tem uma mãe forte e competente. Muitas vezes, o pai do capricorniano é uma figura rígida ou distante, também havendo casos em que fica 'ofuscado' pela personalidade da mãe, simbolizando apenas um poder formal. Apesar disso, ele exige respeito, é uma 'referência', mesmo que a mãe possa ser a verdadeira organizadora da casa.


Nesse sentido, a família do capricorniano é extremamente convencional. Ele também percebe a existência de regras e normas. Assim sendo, desde cedo o capricorniano é muito realista. Mesmo que não haja uma cobrança direta, ele é disciplinado e pressente que só conquistará o respeito se assimilar as regras da casa. Muitos capricornianos, inclusive, são bons alunos. Menos ou mais esforçados, eles sempre levam a sério os seus exames, provas e notas. Um estudante capricorniano que tire notas baixas de alguma maneira se sente 'devendo algo', mesmo que não conte isso para ninguém.


O capricorniano, desde cedo, tem necessidade de se destacar (Sol) pelo seu esforço e competência (Capricórnio).O pequeno capricorniano admira a forma como a mãe tem tudo sob controle. Mesmo que a mãe do capricorniano não trabalhe fora, ela é uma pessoa ativa e ocupada. Mais tarde, o capricorniano desejará seguir o seu exemplo. E ele respeita a autoridade porque deseja ser um dia a autoridade. Sempre se diz que capricornianos são velhos quando moços e jovens quando idosos. É que quando jovens capricornianos têm muitas metas a cumprir. Eles não relaxam enquanto não cumprirem essas metas, daí o ar de seriedade. Eles não levam a ambição apenas como um 'sonho', eles realmente querem realizar suas ambições, é este o 'teste' deles. E se sentem pressionados enquanto isso não acontecer.


Para o capricorniano, o valor de uma pessoa está naquilo que ela é capaz de fazer, e não no que ela é capaz de sonhar. Para o capricorniano, 'desejar algo' sem trabalhar para isso é o mesmo que olhar para o chão e mandar que nasçam árvores frutíferas de lá. Desde cedo o capricorniano tem uma percepção muito apurada de que tudo o que é bom ou valioso tem um custo, o custo do trabalho.


Diz-se que o capricorniano é rígido demais. Isso vem do fato de logo encarar a vida com seriedade. Mesmo o mais descontraído dos capricornianos se cobra muito. Ele tem um alto padrão de qualidade. Sua família sempre o viu, também, como alguém capaz de muitas realizações, e ele deseja cumprir essa 'profecia'.


E a fama de ser conservador? Bem, um capricorniano cresce em uma família 'estruturada', não importa se as pessoas gostem uma das outras ou apenas cumpram um papel, este último acontecendo com freqüência na família do capricorniano, ou se há um afeto genuíno. Ele tem necessidade dessa estrutura, mesmo que possa desmentir isso. Ele quer 'conhecer as regras do jogo' para um dia saber jogar e ganhar. Capricórnio é um signo preparado para o mundo. Os pais do capricorniano esperam muito dele e todos eles são estimulados para serem bons em algum coisa.

Desde pequeno, o capricorniano acha normal assumir responsabilidades. Algumas vezes, ele tem uma maior sobrecarga do que as outras crianças, não tanto em termos de tarefas como em termos psicológicos. Apesar disso, o capricorniano aprende a gostar dessa confiança. Ela lhe dá algo a mais do que as outras crianças não têm.

Como ele é exigente consigo mesmo, o é também com os outros. Ele pode ser impiedoso com um subordinado do tipo 'corpo mole' ou se achar que a pessoa não está se esforçando o suficiente.
 No corpo humano, Capricórnio rege os joelhos. Se o capricorniano ficar muito rígido e orgulhoso, é comum ter problemas nos joelhos e nas outras articulações. Observe que a simbologia das articulações é o fato de a pessoa se dobrar, ser flexível. Quando o capricorniano atinge o tão sonhado 'topo' ele pode achar que depois de tanto esforço ele tem o direito de controlar tudo e de aplicar suas próprias regras. Se ele se identificar muito com o poder mundano que conquistou, ele começa a ter problemas. A ambição é um traço saudável e impulsionador na sua personalidade, mas levada ao extremo ela pode ser cruel e esmagadora para com os outros.Capricórnio é o signo de tudo o que é feito para durar. O capricorniano aceita bem os desafios terrestres, até mesmo a velhice. Aliás, ele se sente melhor quando é testado do que quando está em uma fase em que não é exigido, ou, pior, que não pode fazer nada. Na verdade, um capricorniano só atinge seu brilho e vitalidade pessoal máximos quando começa a se destacar naquilo que faz. Muitas vezes, ele fica 'perdido' na infância e na adolescência, pois essas não são a fase da competência, e sim da fantasia e da experimentação, e as principais habilidades do capricorniano ficam escondidas por detrás de uma certa timidez ou no fato de ele, mesmo 'participando de tudo', muitas vezes captar a infantilidade daquilo.Mais do que qualquer outro signo, o capricorniano vê a vida como um campo de provas, testes. Não que ele seja pessimista a respeito da vida, mas ele considera o tempo na vida como uma época de aprendizado. Como já foi dito, o capricorniano acredita que para cada graça, prêmio ou desejo a ser realizado há um preço, e se viver é uma graça, o preço dela são os desafios por que temos que passar.


Essa visão do capricorniano faz com que ele contemple a vida sob uma perspectiva mais madura. Como ele conhece os testes da vida, uma parte dele, conformada com esses testes, reage com humor. Muitos humoristas brilhantes tem esse signo natal (no Brasil, Jô Soares), pois Capricórnio é o signo que mais compreende que não se pode forçar o tempo e o ritmo das coisas. Ele tem noção da grandeza do mundo e da brevidade da vida, e é por isso que ele vê com tanta seriedade o fato de 'ter de fazer algo significativo'. Mas é essa visão que lhe dá, também, um senso de humor fino e irônico, pois Capricórnio é o signo que mais compreende os 'fatos', sem tentar fantasiá-los, e o humor é uma resposta ao conhecimento destes fatos.
 Capricórnio é um signo da Terra, portanto, um signo voltado para a realização material no mundo. Mas é também um signo cardinal, e os signos cardinais desejam FAZER algo. Não é de se espantar que a principal missão do capricorniano seja realizar alguma coisa significativa, imprimir a marca de seu trabalho no mundo. Ele sente que veio ao mundo para isso, e não apenas para 'passear' nele.
 Aliás, se não houvesse nenhum pouquinho desta mentalidade capricorniana, é possível que muita coisa não tivesse sido feita.
 Capricórnio exerce a liderança por sua experiência e pelo seu trabalho. Algumas vezes ele pode ser demasiadamente motivado por esse poder, preocupando-se em demasia em parecer bom ou superior. Mas, outras vezes, ele pode utilizá-lo construtivamente para deixar algo não só para seus filhos e família, como também para outras pessoas. E, apesar de sua postura séria e dedicação ao trabalho, todo capricorniano é muito motivado por sua família. Mas ele acredita que o melhor que possa fazer por ela não são agrados, e sim preparar essas pessoas para a vida e ensinar-lhe algumas coisas, que para ele custou muito, e que, para seus filhos, podem significar um abreviamento de esforço, embora sempre algo que depende da pessoa.

Esta é a essência de Capricórnio: a fé e a determinação para chegar ao topo, e também o valor de seu trabalho.


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